Quinta-feira, Fevereiro 10, 2011

Por que algumas mulheres parecem mais jovens que outras

“Como é triste! Tornar-me-ei velho, horrível, espantoso. Mas este retrato permanecerá sempre jovem. Se ocorresse o contrário! Se eu ficasse sempre jovem, e esse retrato envelhecesse! Por isso eu daria tudo! Daria até a minha própria alma!”

É com esse pensamento que Dorian Gray, o famoso personagem de Oscar Wilde, vende sua alma em troca de uma eterna imagem jovial, deixando para seu retrato as marcas do tempo. Mas o que parece o sonho de muitos, torna-se um grande pesadelo para Gray.

A vaidade humana já estimulou diversos debates filosóficos sobre padrões sociais de beleza. A eterna busca da juventude e o desejo de muitos de parecer mais jovens do que a idade cronológica movimenta uma gigantesca indústria de cosméticos e afins.

A capacidade humana de estimar a idade, baseando-se apenas na face de uma pessoa, parece ter consequências evolutivas, como por exemplo, durante a escolha do parceiro sexual. Essa estimativa visual tem um apelo social evidente – basta olhar para o bombástico número de propagandas e novos produtos de beleza que prometem retardar o envelhecimento, lançados no mercado constantemente.

Além disso, alguns trabalhos já demonstraram que a idade visual funciona como um biomarcador para diversas doenças, independentemente da idade cronológica (Christensen e colegas, Epidemiology, 2004). No entanto, os fatores responsáveis pela forma como julgamos a idade de uma pessoa pelo seu aspecto visual não são conhecidos. Não sabemos também como a genética e o ambiente contribuem para gerar essa idade visual.

Uma forma de se estudar como fatores físicos da face podem influenciar a capacidade de estimar a idade pelo aspecto visual é por meio de fotografias modificadas. Alterando-se fotografias de pessoas, pode-se focar em determinado aspecto físico (cor do cabelo, composição da pele etc.), eliminando a influência de roupas, gestos ou outros tipos de distração visual ou social.

Recentemente, um grupo de pesquisa internacional estudou a idade estimada por meio da aparência facial em 102 pares de gêmeas dinamarquesas, com idades entre 59 e 81 anos (Gunn e colegas, PloS ONE 2009). O grupo também incluiu outros 162 pares de gêmeas inglesas, com idades entre 45 e 75 anos. Fotografias das faces das irmãs foram apresentadas para observadores neutros, que estimavam a idade de cada uma. Em alguns casos, a idade facial estimada variava consideravelmente entre as irmãs gêmeas, obviamente com a mesma idade cronológica. Para descobrir quais os fatores responsáveis por essa discrepância, os autores geraram imagens sobrepostas das irmãs, procurando pelas diferenças físicas entre as duas.

Algumas dessas irmãs eram gêmeas idênticas (monozigóticas) e, portanto, dividem o mesmo material genético. Outras irmãs que participaram do trabalho eram gêmeas não idênticas, dividindo apenas metade do material genético, como irmãs nascidas em datas distintas. Com esse tipo de ferramenta em mãos, foi possível concluir quais fatores eram influenciados geneticamente, pelo ambiente ou por ambos. As imagens compostas das gêmeas apresentaram algumas diferenças, como a cor da pele e volume dos lábios. As diferenças observadas nas gêmeas idênticas foram classificadas como variações influenciadas pelo ambiente e, nas gêmeas não idênticas, como variações genéticas.

Os resultados da pesquisa mostraram que marcas de expressão na pele, cabelos cinza e volume dos lábios estão significativamente associadas à estimativa da idade visual das mulheres. Cada um desses fatores funciona de forma independente dos outros. A aparência de danos causados pela superexposição a luz solar também influencia a estimativa da idade visual, primariamente pela conexão direta com o surgimento de rugas e dobras na pele.

Imagens criadas a partir de mulheres que pareciam mais novas ou mais velhas do que a idade real indicaram que a estrutura do tecido subcutâneo pode ser parcialmente responsável pela variação encontrada nas estimativas iniciais entre as gêmeas. Análises das características herdadas revelaram que pontos de pigmentação, dobras na pele e danos causados pela luz solar são fatores que podem ter influência equilibrada entre genética e ambiente. Já os cabelos grisalhos, tamanho da testa e volume dos lábios parecem ser exclusivamente determinados pela genética. Cabelos fracos e finos mostraram ter mais influência ambiental do que genética.

Esses dados sugerem que mulheres com aparência mais jovem do que a idade real têm lábios mais volumosos, evitam superexposição à luz solar e possuem fatores genéticos que as protegem contra o surgimento de cabelos cinza e dobras de pele. Os resultados também mostraram que a idade perceptual é um melhor biomarcador de pele, cabelo e envelhecimento da face do que a própria idade cronológica.

Apesar de bem interessantes, existem alguns cuidados que devemos ter antes de afirmar que esses resultados se aplicam a todas as mulheres. Primeiro, a população estudada é restritamente caucasiana e não existe suporte que os dados se aplicariam para outros grupos étnicos. Também não podemos afirmar que os resultados se manterão válidos em outras faixas etárias. Além disso, sabe-se que fatores não estéticos, como o estado civil, classe social e depressão influenciam a estimativa visual da idade em mulheres (Rexbye e colegas, Ageing 2006).

Mesmo assim, o trabalho confirma alguns fatores que, intuitivamente, já eram normalmente associados ao envelhecimento. Também traz uma interessante análise do que parece ser influência da genética e/ou do ambiente. Alguns desses fatores parecem que são herdados de forma conjunta, sugerindo uma eventual seleção evolutiva. É possível que, num futuro distante, as informações genéticas e ambientais que influenciam a beleza sejam conhecidas e sujeitas a manipulação. Aí, com certeza, o mercado cosmético vai oferecer um produto comparável à maldição de Dorian Grey. Resta saber se vamos optar por permanecer jovens para sempre ou se vamos preferir a beleza intrínseca de cada idade.




Blog de Alysson Muotri. Ele é biólogo molecular formado pela Unicamp com doutorado em genética pela USP. Fez pós-doutoramento em neurociência e células-tronco no Instituto Salk de pesquisas biológicas (EUA). Hoje é professor da faculdade de medicina da Universidade da Califórnia. Surfista e iogue, costuma ter insights entre uma onda e outra.

Domingo, Outubro 03, 2010

Rubéola e Rotavírus



Rubéola:
Transmitida por via respiratória, é uma doença geralmente benigna, mas perigosa para mulheres grávidas. A Rubéola pode causar diversas complicações para as gestantes e para os recém-nascidos, como malformações congênitas (surdez, malformações cardíacas, lesões oculares e outras).

Situação da Rubéola no Brasil: Até o final da década de 80 não se conhecia a magnitude da doença no País. Em 1997 foram registrados 30 mil casos, e ocorreram surtos entre 1999 e 2001. Os últimos surtos da doença ainda são recentes, e, em 2005, no Rio Grande do Sul, foi identificado o mesmo tipo de vírus que circula na Europa. Em 2006, houve 1.317 confirmações no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Ceará e São Paulo.

Em 2007, esse número subiu para 8.145 confirmações. A vacina só foi oferecida em todos os estados em 2000, quando passou a ser oferecida a tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) em todas as unidades de saúde. A meta é eliminar a rubéola em 2010.

Rotavírus:
Ao menos 10 tipos desse vírus são nocivos para os seres humanos. São considerados os mais importantes agentes de diarréia grave na infância, em todo o mundo. Estima-se que, a cada ano, ocorram 125 milhões quadros de diarréia associados ao vírus, que matam aproximadamente meio milhão de pessoas, 85% em regiões menos desenvolvidas do planeta. Esses números representam 20% da mortalidade global por doença diarréica e 5% do total das mortes entre crianças menos de 5 anos.



Situação do rotavírus no Brasil: No Brasil, o primeiro caso associado ao vírus foi identificado em Belém (PA), em 1976. Por não ser uma doença de notificação imediata às autoridades, não existe registro oficial no Brasil. Quatro sorotipos (G1, G2, G3 e G4) circulam em território nacional. Estudos indicam que existem diferentes perfis sazonais entre as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul o que não parece ocorrer no Norte e Nordeste. Estima-se que todas as crianças com até 4 anos já foram infectadas pelo rotavírus.

Cólera e febre amarela



É uma doença infecciosa intestinal aguda, causada pela enterotoxina da bactéria vibrio cholerae, que resulta numa diarréia aquosa e intensa – que pode ou não vir acompanhada de vômitos –, dor abdominal e cãimbras. Sem tratamento, o quadro pode evoluir para desidratação, acidez no sangue (acidose), colapso circulatório e insuficiência renal. Em alguns casos, a infecção ocorre sem sintomas aparentes, apenas com diarréia leve.

Situação da cólera no Brasil: A sétima pandemia de cólera ocorreu no Brasil entre 1991 e 2001, com 168.598 casos e 2.035 mortes em todo o País, principalmente na região Nordeste. O pico ocorreu em 1993, quando foram identificados 39,8 casos para cada 100 mil habitantes. As mortes neste ano somaram 670. A queda nas infecções se intensificou a partir de 1995. Em 2001, foram registrados sete casos. Em 2004 ocorreram 21 infecções, e em 2005, outros seis. Um caso importado de Angola foi registrado em 2006.

Febre Amarela:
A transmissão ocorre por mosquitos, inclusive pelo Aedes aegypti – o mesmo da dengue. É uma doença infecciosa febril aguda, de curta duração (no máximo 12 dias), e de gravidade variável. Possui dois ciclos de transmissão: o silvestre (que ocorre entre primatas não humanos, onde o vírus é transmitido por mosquitos silvestres) e o urbano (erradicado no Brasil desde 1942). Dependendo da gravidade, a pessoa pode sentir febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

Situação da febre amarela no Brasil: De 1989 a 2008 ocorreram 546 casos de Febre Amarela e 241 mortes. O pico da doença ocorreu em 2000 em áreas consideradas de risco de transmissão: Acre, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Paraná. As maiores vítimas são agricultores, madeireiros, pescadores e ecoturistas.

Poliomielite

Poliomielite (paralisia infantil):
A poliomielite é uma doença infecto-contagiosa considerada grave. A maioria dos casos não resulta em morte, mas a criança infectada sofre sérias lesões que afetam o sistema nervoso, provocando paralisia, principalmente nas pernas.

Situação da poliomielite no Brasil: O Brasil não registra casos de poliomielite desde 1989, e, de acordo com o Ministério da Saúde, o vírus foi eliminado. O País recebeu certificação de erradicação da transmissão da poliomielite, emitida pela Organização Mundial de Saúde, em 1994. Hoje, ainda há circulação vírus em alguns países da África e Sudeste Asiático.



Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2007 foram confirmados 1.315 casos. Destes, 92% estão concentrados em países considerados endêmicos como: Índia, Nigéria, Paquistão e Afeganistão. Em 2008 ocorreu um surto do tipo selvagem do vírus na Nigéria, onde os casos aumentaram 500% em um ano.

Sarampo

Contágio: O sarampo é um vírus transmitido por meio de secreções expelidas pelas pessoas doentes ao tossir, respirar, falar ou respirar. O grau de contágio é considerado elevado. O vírus fica encubado, em geral por 10 dias, e a transmissão ocorre de 4 a 6 dias antes do aparecimento de manchas avermelhadas na pele.

Sintomas: A pessoa infectada apresenta quadro de febre moderada a alta acompanhada de tosse, coriza, conjuntivite, sensibilidade à luz (fotofobia), cansaço, falta de apetite e manchas vermelhas na pele, que aparecem inicialmente no rosto, atrás do pescoço e se espalham para o tronco e membros.



Tratamento: Não existe tratamento específico para o sarampo; recomenda-se repouso, hidratação, antitérmicos e isolamento dos doentes para diminuir o contágio. As complicações bacterianas são tratadas com antibióticos.

Gravidade: Entre as doenças infecto-contagiosas, o sarampo é uma das principais causas de adoecimento entre crianças com menos de 5 anos de idade, principalmente as desnutridas e aquelas que vivem em países subdesenvolvidos. A maior causa de morte é referente a complicações por infecção pulmonar. Além da pneumonia, os casos mais graves também podem desenvolver otite (infecção no ouvido), broncopneumonia, diarréia e encefalite, sendo que esta ultima pode ocasionar danos permanentes e ocorre em, aproximadamente, 1 de cada 1.000 casos de sarampo

Prevenção: A vacina é a única forma de prevenir o sarampo e a dose pode ser encontrada em postos de saúde gratuitamente, a partir de um ano de vida. A vacina disponível é a chamada tríplice viral (contra sarampo, caxumba e rubéola), considerada eficaz entre 98% e 100% dos casos. No entanto, ela é contraindicada durante a gravidez, imunodepressão por doença ou tratamento, doenças febris agudas e alergia ao ovo de galinha.

Dengue

Dengue:

Contágio: Todos os tipos de dengue (1,2,3 e 4) são transmitidos aos seres humanos pela picada do mosquito Aedes aegypti. O inseto pica uma pessoa infectada e transmite para outra pessoa. O período de encubação é de 3 a 15 dias.

Sintomas: Nos casos de dengue clássica: febre alta repentina, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, manchas avermelhadas na pele, perda de apetite, náuseas, vômitos, tonturas, extremo cansaço, dores no corpo, nos ossos e nas articulações. Nos casos de dengue hemorrágica: os mesmos sintomas, além de fortes dores abdominais, vômito persistente, pele pálida, fria e úmida, sangramento pelo nariz, boca ou gengivas, sonolência e confusão mental, boca seca e sede excessiva, pulso rápido e fraco, dificuldade de respirar e perda de consciência.

Tratamento: Não há tratamento específico para a dengue clássica. As dores de cabeça e no corpo são tratadas com analgésicos e antitérmicos. Nos casos de suspeita de dengue devem ser evitados os salicilatos, como aspirina, porque o medicamento pode favorecer hemorragias. Nestes casos, devem ser observados os primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. A fase crítica ocorre durante a transição da fase febril para um período sem febre, geralmente após o terceiro dia da doença, quando apesar da aparente melhora, o quadro clínico piora.



Gravidade: A dengue hemorrágica é considerada a mais perigosa. Quando a pessoa fica doente pela segunda vez, a probabilidade evolução para o quadro hemorrágico aumenta, ainda mais quando se é infectado pelo tipo 4. Nos casos clássicos, que podem variar do 1 ao 4, existe o risco de alterações das funções hepáticas, miocardite e outras cardiopatias, assim como problemas neurológicos, resultados do comprometimento do sistema nervoso central.
Prevenção: A doença só pode ser combatida com a eliminação do mosquito. Ele se reproduz em locais com água da chuva acumulada. Em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas casas. O uso de repelentes e mosquiteiros, principalmente nas telas e janelas, é aconselhado.

Doenças que voltaram

Especial Terra:

Doenças que voltaram

Em 2010, o Brasil registrou mais de 20 casos de infecção por doenças e vírus considerados controlados ou erradicados pelo Ministério da Saúde. São casos de sarampo e dengue tipo 4, no Norte, Nordeste e Sul. De acordo com autoridades em saúde, a situação preocupa pelo risco de novos surtos já que não é possível aplicar barreiras sanitárias contra estas doenças. É o caso também da raiva. Uma doença considerada letal que voltou a aparecer. Veja os sintomas, formas de contágio, tratamento, gravidade e prevenção dessas e outras doenças que já fizeram parte da rotina dos brasileiros.

Raiva:
Contágio: A transmissão ocorre quando a pessoa tem contato com os animais infectados, principalmente, em casos de arranhões, mordidas ou lambidas. Uma característica da doença é o aumento da agressividade no animal, o que pode provocar ataques a humanos e novas transmissões. O vírus pode ficar encubado de três semanas a dois anos.
Sintomas:Tanto em humano, como em animais, é caracterizada pelo aumento da agressividade e a perda do sentimento de medo. No local da infecção pode ocorrer inchaço, dor ou anestesia. A doença causa inflamações no cérebro (encefalite) e danos no sistema nervoso. A pessoa infectada apresenta espasmos musculares, ansiedade extrema, convulsões, dificuldade de engolir e medo de líquidos (hidrofobia).


Tratamento: Ao ser agredida por um animal, a pessoa deve lavar o ferimento com água e sabão e procurar o serviço de saúde imediatamente para tratamento. Em seguida, deve receber vacina e soro. Nos casos que a doença se agrava, o paciente é sedado.
Gravidade: A raiva é uma doença letal em quase 100% dos casos. Ela é transmitida ao ser humano por meio de animais domésticos e selvagens como cães, gatos, macacos e morcegos.
Prevenção: A forma mais eficaz no combate a transmissão da doença ao ser humano é a vacinação de cães e gatos. A vacinação em humanos pode ser indicada em profissões onde existe grande risco de contágio. Em caso de agressão por cães e gatos, os animais devem ser isolados por dez dias para observação do surgimento de sintomas da doença. Se o animal morrer, as autoridades de saúde devem ser informadas.

Terça-feira, Setembro 28, 2010

Marie Curie

Estou recolhendo algumas informações sobre mulheres na Ciência, e aproveitando o gancho do documentário do Marcelo Gleiser, vou começar pela Marie Curie.

Texto de Autoria: Roberto de Andrade Martins
http://www.ifi.unicamp.br/~ghtc/Biografias/Curie/Curie3.htm


Marie Curie

A física polonesa Maria Skodowska Curie (1867-1934) é uma famosa personagem da história da ciência. Foi a primeira mulher a ganhar um prêmio Nobel, conseguindo se destacar como pesquisadora em uma época em que as universidades eram um domínio masculino. Mas qual, afinal, foi sua contribuição importante à ciência? Podemos dizer que, com a colaboração de seu marido Pierre Curie, ela “inventou” a radioatividade e descobriu novos elementos radioativos – o tório, o polônio e o rádio. Foi apenas a partir do seu trabalho que surgiu um enorme interesse pelos fenômenos radioativos e que essa área começou a se desenvolver de fato.

Costuma-se dizer que a radioatividade foi descoberta pelo físico francês Henri Becquerel (1852-1908) em 1896. No entanto, somente dois anos depois, em 1898 (um século atrás) o fenômeno da radioatividade foi percebido como algo totalmente novo, graças às pesquisas de Maria Curie e seu marido, o físico francês Pierre Curie (1859-1906). Vamos contar essa história.

O INÍCIO NA VIDA ACADÊMICA



Continuando a investigar a pechblenda, com a ajuda de Georges Bémont, o casal Curie descobriu que era possível encontrar mais uma substância fortemente radioativa. Novamente, essa substância parecia difícil de ser isolada. Após uma série de reações químicas, como no caso do polônio, foi possível obter um material fortemente radioativo, mas suas propriedades químicas eram dessa vez iguais às do bário. Como no caso anterior, foi possível aumentar a concentração do material radioativo, através de processos de dissolução e precipitação, obtendo um material 900 vezes mais ativo do que o urânio puro, sem no entanto conseguir uma separação total do bário. Eles supuseram que havia um novo elemento desconhecido misturado ao bário, e deram-lhe o nome de “rádio”.

Para tentar demonstrar a existência dos novos elementos, os Curie imaginaram um teste decisivo: analisar o espectro dos materiais radioativos que haviam obtido. Cada elemento químico, quando vaporizado e percorrido por uma descarga elétrica, emite uma luz cujo espectro luminoso é constituído por certas linhas luminosas coloridas. A expectativa dos Curie era de que o espectro do bismuto radioativo (que supostamente continha polônio) e o do bário radioativo (que supostamente continha rádio) mostrassem linhas espectrais novas, diferentes das dos elementos conhecidos, o que seria uma importante confirmação de suas hipóteses.
No caso do bismuto radioativo, o teste foi um fracasso. Eugène Demarçay, um químico que trabalhava com Curie na Escola, especialista em espectroscopia, fez o teste para eles. Apesar de todos os seus esforços, não conseguiu notar nenhuma raia espectral nova. No entanto, alguns meses depois, fazendo o mesmo teste com o bário radioativo, a expectativa foi confirmada: Demarçay encontrou uma raia luminosa diferente de todas as conhecidas, e que era mais visível no material mais radioativo. Essa era uma forte evidência a favor da existência do rádio, um novo elemento químico. O trabalho em que esses resultados eram apresentados foi lido na Academia de Ciências de Paris um dia depois do Natal: 26 de dezembro de 1898.

Com os resultados inesperados e extremamente importantes obtidos em 1898, estava aberto o caminho para os estudos que o casal Curie realizou nos anos seguintes. A linha fundamental de trabalho passou a ser a de tentar isolar o polônio e o rádio da pechblenda, procurando obter esses elementos em forma pura, para determinar suas propriedades (especialmente o peso atômico). Durante quatro anos, de 1899 a 1902, o trabalho a que eles se dedicaram – realizado em sua maior parte por Maria – foi tratar quimicamente uma tonelada de pechblenda, purificando gradualmente seus materiais radioativos. O polônio, infelizmente, conseguiu resistir a todas as tentativas que fizeram, e não foi isolado por eles. Obtiveram, no entanto, cerca de um décimo de grama de cloreto de rádio quase puro, e conseguiram determinar o peso atômico desse elemento: aproximadamente 225.
Durante esses quatro anos, a teimosia de Maria Curie não lhe permitiu desistir do trabalho, mesmo quando ele parecia não avançar. O esforço físico exigido pelo trabalho era enorme, pois ao invés de utilizar pequenos tubos de ensaio era preciso manipular baldes e caldeirões com cerca de 20 kg de material de cada vez, transportando os recipientes de um lado para o outro, fervendo os líquidos, misturando com outros, borbulhando enormes quantidades do ácido sulfídrico fedorento, etc.





O FIM DA CARREIRA




Paralelamente aos esforços de Maria Curie para separar os novos elementos químicos, Pierre se dedicou a outras pesquisas sobre a radioatividade (especialmente sobre a natureza e os efeitos das radiações). Embora sempre mantivessem uma colaboração ativa, algumas vezes publicaram trabalhos isolados, como em 1903, quando Pierre mediu pela primeira vez, juntamente com André Laborde, o calor emitido espontaneamente pelo rádio – a descoberta fundamental da grande quantidade de “energia atômica” contida na matéria.
Os estudos realizados por Maria e Pierre Curie a partir de 1898 despertaram a atenção do mundo científico para a existência de um novo fenômeno, e levaram muitos pesquisadores a se dedicar ao estudo da radioatividade. Com a descoberta do rádio, os Curie colocaram à disposição dos pesquisadores uma fonte de radiação muito mais intensa do que o urânio e o tório, permitindo novos tipos de estudos – não só físicos, mas também médicos.
O trabalho do casal Curie foi sendo gradualmente reconhecido, e já em 1900 eles eram considerados como os mais importantes pesquisadores nessa área. Em 1903, enfim, Maria Curie defendeu a sua tese de doutoramento em física na Sorbonne, e foi aprovada com distinção e louvor. Em dezembro do mesmo ano, o casal Curie recebeu o reconhecimento internacional pelo seu trabalho, ganhando o prêmio Nobel de física, pela descoberta do polônio e do rádio (na verdade, meio prêmio Nobel, pois a outra metade foi concedida a Becquerel, pela descoberta da radioatividade).
Em 1903 ocorreu, portanto, o coroamento das pesquisas iniciadas em 1898. Pode-se dizer que, após esse período, a contribuição científica de Maria Curie foi pequena – muito menor do que no período já descrito.
Em poucos anos, no entanto, a liderança das pesquisas sobre radioatividade passou a outras mãos. Não foram os Curie que encontraram a explicação correta dos fenômenos radioativos. A partir de 1902, o físico neo-zelandês Ernest Rutherford (1871-1937) e o químico inglês Frederick Soddy (1877-1956), trabalhando no Canadá, propuseram a teoria que aceitamos atualmente: a de que os átomos dos elementos radioativos se desintegram lentamente, emitindo radiações e se transformando em outros elementos químicos. A partir dos trabalhos de Rutherford e Soddy, a pesquisa sobre radioatividade tomou nova direção, e o trabalho pioneiro dos Curie passou a fazer parte do passado.
No período posterior, Maria Curie continuou seu trabalho de pesquisadora, mas sem obter outros resultados espetaculares como os do início de sua carreira. Durante a primeira guerra mundial, dedicou-se a aplicações médicas dos raios X, e depois da guerra empenhou-se no trabalho de organizar seu laboratório, obter verbas, treinar novos pesquisadores, coordenar novas investigações e proporcionar condições de trabalho aos jovens. Depois de muitos problemas de saúde, em grande parte associados à sua exposição à radiação, acabou por falecer em 1934.

LEITURAS COMPLEMENTARES:
CURIE, Eva. Madame Curie. Trad. Monteiro Lobato. 12a. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1976.
GIROUD, Françoise. Marie Curie. Trad. Ramon Américo Vasquez. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
MARTINS, Roberto de Andrade. As primeiras investigações de Marie Curie sobre elementos radioativos.Revista da Sociedade Brasileira de História da Ciência [série 2] 1 (1): 29-41, 2003.
Texto completo disponível em: http://ghtc.ifi.unicamp.br/pdf/ram-98.pdf

"Links" para páginas da Internet em inglês:
The Nobel Prize in Physics 1903: http://nobelprize.org/physics/laureates/1903/index.html
The Nobel Prize in Chemistry 1911: http://nobelprize.org/chemistry/laureates/1911/index.html
Marie Curie and the science of radioactivity: http://www.aip.org/history/curie/contents.htm




Quinta-feira, Setembro 16, 2010

Série Mundos Invisíveis - Marcelo Gleiser

Série do físico Marcelo Gleiser, apresentada no Programa Fantástico em 2008. Elementos bem bacanas para trabalhar Ciências com o nono ano do ensino fundamental.

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Uma noite no Museu

Um bom exemplo de divulgação da ciência, de forma atrativa, divertida e instigante.
O museu de Ciências Naturais da Puc/Minas copiou a idéia do filme Uma noite no Museu e criou várias atividades para a visitação noturna do Museu. No fim do vídeo a opinião da criançada. Coisa semelhante poderia ocorrer por aqui.

Veja o vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=UyyA0cUEhvw

Abraços, Ana

Segunda-feira, Julho 12, 2010

Roupa feita a partir de bactérias

Designer britânica cria roupa “tecida” por bactérias
A receita leva porções de fermento, bactérias e chá verde doce
Revista Galileu

Suzanne Lee usou as bactérias que causam a fermentação do chá verde para criar tecidos aparentemente “do nada”. A pesquisadora da School of Fashion & Textiles da Central Saint Martins, em Londres, criou a receita do tecido com levedura, um pouco de bactéria e chá verde adocicado.

As fibras do tecido começaram a brotar da mistura de micróbios e propagaram-se. Até que, no final, transformavam-se em finas e úmidas folhas de celulose bacteriana, ideais para serem moldadas no formato de roupas. O experimento e - obra de arte - ganhou o nome de BioCouture.

Quando as folhas de celulose secaram, as partes sobrepostas da roupa ficaram grudadas formando as “costuras”. Depois de totalmente seca, a peça ficou com aspecto de papiro e poderia ser branqueada ou tingida com extratos vegetais.

A roupa de bactéria está exposta no Museu de Ciência de Londres e faz parte da mostra Trash Fashion: Designing Out Wast, algo como Moda Trash: Design Feito de Lixo.





Material de cultura na banheira no primeiro dia (esq.); folha de celulose retirada da banheira depois de 2 semanas (dir.)

Quinta-feira, Junho 17, 2010

Joguinhos e programas de educação

Oi povo

Achei um site com vários programas e jogos de educação em biologia, matemática, física, química, astronomia, simulador de cirurgias, enfim, várias coisas que podem ser usadas nas aulas de informárica.

O link é: http://www.baixatudo.com.br/educacao-e-cultura/ciencias/1

Bom proveito!!!

Beijos, Ana

Imagem do dia!

Quarta-feira, Junho 09, 2010

Os animais na copa

Afiliações

Comemorações com fogos de artifício são traumáticas para os animais, cuja audição é mais acurada que a humana. Muitos da fauna silvestre morrem e sofrem alterações do seu ciclo reprodutor. Os cães latem em desespero e enforcam-se nas correntes. Eles e os gatos têm taquicardia, salivação, tremores, medo de morrer, e escondem-se em locais minúsculos, fogem para nunca mais serem encontrados, provocam acidentes nas vias públicas e são vítimas de atropelamento. Há animais que, pelo trauma, mudam de temperamento e chegam até ao suicídio.
Adotando alguns procedimentos simples, pode-se diminuir o sofrimento deles:
• procure um veterinário para sedar os animais, no caso de cães muito agitados;
• evite acorrentá-los, pois poderão enforcar-se
• acomode-os em um cômodo dentro da casa onde possa mantê-los em segurança, fechando as portas e janelas, bem como proporcionando iluminação suave
• evite deixar muitos cães juntos pois, excitados pelo barulho, podem brigar até à morte
• dê alimentos leves, pois distúrbios estomacais provocados pelo pânico levam à morte
• identifique seus animais com placas na coleira, para o caso de fuga
• tente colocar tampões de algodão nos ouvidos deles
• estenda cobertores nas janelas e no chão, para abafar o som. Cubra-os com um edredon;
• deixe o guarda-roupas aberto, mas prepare-se porque eles poderão urinar, por medo
• coloque-os próximos a rádios ou TV ligados e vá aumentando o volume, antes dos fogos;
• cubra as gaiolas dos pássaros
• Florais de Bach: rescue + cherry plum + rock rose + mimulus + vervain + sweet chestnut (*)
Estas essências, combinadas, funcionam bem para cães, gatos, aves e eqüinos
Mande preparar em farmácia de manipulação ou homeopática, SEM conservantes
(ÁLCOOL, GLICERINA e similares), e guarde-a na geladeira (dura todo o vidro,
independente do que digam)
Dê 4 vezes ao dia, diretamente na boca do animal: 2 gotas para pequenas aves; 4 gotas para gatos e cães de pequeno e médio porte; 6 gotas para cães de grande porte.
Para eqüinos, coloque 30 gotas no bebedouro, 4 vezes ao dia.
Comece a ministrar o Floral 2 ou 3 dias antes das comemorações e continue por uma semana após.
( * ) receita da Drª. Martha Follain - mfollain@terra.com.br http://www.floraisecia.com.br/
___________________________________________________________________________________________________
Fundada em setembro de 2000 - CNPJ 04.141.954/0001-75- OSCIP - MJ 08071.000319/2006-15
Fone (11) 4229-9004 (caixa postal) - apascs@apascs.org.br - www.apascs.org.br